Privado

“Onde estava com a cabeça quando quis ser um bendito professor?!” — se perguntou naquela manhã do dia 15 de outubro. Ficou por alguns segundos pensando enquanto escrevia no quadro. Nas primeiras cadeiras, alguns poucos alunos copiavam avidamente o que era escrito por ele, mas a maioria, para seu desânimo, conversava em voz alta ao lado dos que mexiam compulsivamente nos seus smartphones.

Escrevia vagarosamente devido ao pulso imobilizado por um tensor, ossos do ofício. As pernas cansadas doíam por estar em pé e lhe incomodava a saliva que descia ardendo na garganta, irritada de tanto gritar pedindo silêncio. Sabia que gritar não era a melhor forma de se pedir algo, mas quando não há escolha, é obrigado a optar por tal deselegância.

Esse não era o retorno mais adequado ou a forma mais grata de um aluno demonstrar satisfação à sua aula, planejada com cuidado e com devida antecedência, mas como ele poderia cobrar educação de um jovem que não respeita ninguém? Como um adolescente, muitas vezes levado a escola como quem deixa o filho a uma babá, cederia a um grito cansado — para não dizer desesperado — pedindo silêncio, se em casa quem grita e logo em seguida tem o que quer é ele?

— Então gritem! — balbuciou antes de se virar e escrever na lousa.

Deixou-os gritar pelo menos enquanto copiava, enquanto poupava suas amígdalas repletas de calos vocais. Deixou que extravasassem a energia acumulada, que as desperdiçassem já que não usavam para algo de fato construtivo. Deixou que esgotassem as baterias de seus celulares enquanto ele se mantinha reservado para as próximas 5 aulas que teria de dar até o dia acabar.

“Mestre,” — iniciou um monólogo em seu pensamento enquanto escrevia o próximo parágrafo na lousa — “palavra que define a pessoa que adquiriu um conhecimento especializado em determinada área da ciência. Mesmo que seja satisfatório pensar que atingi tal formação, não me sinto privilegiado. Onde foi parar meu orgulho quando o desgaste me tomou?”

“Se na faculdade tivessem me dito como era ser professor, será que teria optado por essa profissão? Ou seria hoje um geógrafo e viveria viajando o mundo, ou pelo menos na cidade em que moro, diagnosticando e observando fenômenos naturais ou resultantes da ação humana? Poderia ganhar prêmios, dar palestras e…”

— Professor, é pra copiar isso tudo?! — foi interrompido pelo aluno.

— Sim, é basicamente o que vai cair no simulado do ENEM esse final de semana. — disse, quando na verdade queria dizer “Não, estou escrevendo de besta que eu sou! Estou testando o pincel há 15 minutos pra ver se ele escreve”. Voltou ao silêncio e parou por ali de se maldizer para evitar frustrações.

Considerava grave o fato de não ter recebido as felicitações de nenhum aluno. Não que o dia do professor fosse somente naquela data, mas gostaria de ouvir algum sinal de gratidão. Não lhe bastava que a escola ‘reconhecesse’ seu papel empírico — já que monetariamente esse reconhecimento não existia —, exibindo na sala dos professores um cartaz que diz em letras douradas: “Parabéns professor pelo dom da docência!”.

“A docência não é um dom!” — pensou quando viu o cartaz, e sabia que muitos professores concordariam (os menos romancistas, claro), pois era bem verdade que a docência é o fruto de uma dedicação extrema ao conhecimento. Ela é o resultado das noites viradas no trabalho da monografia, dos vários artigos publicados, das várias teses criadas, das pesquisas de campo e todo o investimento financeiro. Não foi algo dado, embora fosse mais fácil massagear o ego com a desculpa do dom divino. Foi uma conquista dele da qual não teve, pelo menos até então, a gratidão e o reconhecimento que esperava ter.

Talvez dissessem isso, em letras grandes e douradas, porque seria a forma mais viável (barata) de acalentar o professor e pôr panos mornos na desvalorização da figura do docente. Nenhum empresário da educação tem noção do quão completo um professor precisa ser, se tivesse trocaria seu salário com o dele. Desde dominar escrita, oratória, didática, flexibilidade a se posicionar, acompanhar, incentivar e ser um exemplo para uma geração, na maioria dos casos, bem mais nova e inexperiente que a dele.

O docente deveria — no ensino privado e público — ser tratado como alguém que (junto à família, sociedade e ao governo) é responsável pela formação do discente como individuo. Um indivíduo com conhecimento crítico e científico. Mas não era o que acontecia. Todos os dias o que era pedido pela empresa era apenas replicar o material dos livros, facilitar, para que o aluno pudesse passar na prova do vestibular.

Um refém na resistência: era assim que se sentia. Qualquer tentativa clara de fustigar a criticidade, se fosse percebida, poderia ser podada pela coordenação, pois o foco na maioria das vezes está no mercado. Tornar os alunos críticos e conscientes poderia despertar a compreensão de tal face escura do ensino e isso seria perigoso para a “educação privada” como um todo. O que ela queria era apenas manter os alunos dormentes, já que o importante é o outdoor anunciando a sua escola em primeiro lugar nos 3, 4 ou 5 vestibulares ao qual o fruto da lobotomia prestou.

Mesmo tentando, olhando para si, percebeu que era seu carcereiro. Aprisionando seu próprio conhecimento e o dos que antes dele formaram todos os que existem como cidadãos, que dominam (ou entendem) o código matemático, da fala e da escrita pelo menos. Uma lanterna embaixo da cama de um quarto escuro.

Então, onde estava com a cabeça quando quis ser um bendito professor?

Não tinha a resposta até a noite daquele dia, quando em sua quinta aula, após o sinal do intervalo, onde a maioria se dirigiu ao pátio, ele, exausto, sentou-se na cadeira e apoiou a cabeça nos braços sobre a mesa, quando foi surpreendido por um aluno que passava.

— Professor, o senhor está bem?

— Sim, cansaço apenas. Não lhe vejo mais nas aulas desde julho, o que houve?

— Estou indo para o University UK, no Reino Unido! Apresentei aquele projeto que lhe falei “Solos – A Influência Humana na Desertificação” e fui premiado! Eles me convidaram a participar desse intercâmbio na minha graduação. Sei que deve ser muito difícil passar o conteúdo dentro da sala de aula, mas devo ao senhor e ao seu incentivo essa vaga. Queria ter tido a oportunidade de ser seu aluno. Sinta-se ganhador junto comigo e, se lhe fizer melhor neste dia, penso em ser professor também! Obrigado mesmo! — despediu lhe dando um abraço e saiu.

Ficou em pé por alguns segundos vendo o aluno do terceiro ano que tanto lhe ‘perturbava’ após suas aulas, sobre um projeto que a própria escola não deu atenção por ser inviável financeiramente (mesmo cobrando absurdos nas mensalidades), partir para um destino novo porque acreditou e teve quem acreditasse nele. Lembrou de seus primeiros anos antes de se formar e de seus professores, que se permitiam conversar livremente após a aula incentivando e instruindo suas pesquisas, de todos os mestres a quem tem tanto carinho pela amizade que foi formada durante os anos de escola, e mais tarde nos anos da faculdade.

Na época, ele sabia e conhecia os professores pelo nome, que neles podia confiar seu direcionamento, um porto seguro na sua fase de descobertas e de certa instabilidade. E, voltando àquele momento, lembrou de outros alunos que o procuravam, poucos, mas que lhe deram as felicitações do seu dia.

Viu que embora lhe fossem podadas quase todas as tentativas de subverter a dormência proposta pelo “mercado da educação”, ainda existiam jovens como a Marina, o Pedro, Wagner, Júlio, Paulo, Milton, Fernando, que o buscavam no final da aula para pedir um feedback, uma opinião, um ânimo. E era o que ele fazia, pois a docência não se limita apenas à sala de aula.

Não sabia se seus professores sofreram com a mesma angústia na época, mas nunca deixaram transparecer e ele não podia permitir isso também. Mesmo que estivesse frustrado, ainda poderia fazer um bom trabalho na vida daqueles garotos e garotas, não devia se abalar e mesmo que parecesse absurdo, — nesse momento sorriu meio desconcertado — também não poderia desistir dos demais.

No final das contas não era um aluno no outdoor que lhe interessava, mas tornar isso possível correspondia ao seu desejo de interferir positivamente na vida de alguém, aliado a tentar melhorar as pessoas da sociedade que vivemos. Isso é que dava função ao seu trabalho. Era o aprendizado com a troca de experiências, vivenciar saberes diferentes e cuidar do futuro de pessoas estranhas como se fosse de um filho seu, era o que devia lhe motivar ainda mais. É saber que a gratidão, embora não ponha comida na mesa, lhe alimenta de algo que o dinheiro não pode comprar.

Daquele dia em diante, percebeu que existiam vários outros fatores que iam além de onde ele trabalhava. Que se na época a Ditadura Militar não conseguiu calar seus professores, não seria a Ditadura do Capital que iria torná-lo submisso. Não era nos alunos, onde sua didática exaurida parecia malhar no ferro frio, era nele que se encontrava o segredo de transformar aqueles pequenos meninos e meninas em mulheres e homens. E foi preciso relembrar o que foi um dia para saber quem ele é hoje, e o porquê de ser um bendito professor.“Onde estava com a cabeça quando quis ser um bendito professor?!” — se perguntou naquela manhã do dia 15 de outubro. Ficou por alguns segundos pensando enquanto escrevia no quadro. Nas primeiras cadeiras, alguns poucos alunos copiavam avidamente o que era escrito por ele, mas a maioria, para seu desânimo, conversava em voz alta ao lado dos que mexiam compulsivamente nos seus smartphones.

Escrevia vagarosamente devido ao pulso imobilizado por um tensor, ossos do ofício. As pernas cansadas doíam por estar em pé e lhe incomodava a saliva que descia ardendo na garganta, irritada de tanto gritar pedindo silêncio. Sabia que gritar não era a melhor forma de se pedir algo, mas quando não há escolha, é obrigado a optar por tal deselegância.

Esse não era o retorno mais adequado ou a forma mais grata de um aluno demonstrar satisfação à sua aula, planejada com cuidado e com devida antecedência, mas como ele poderia cobrar educação de um jovem que não respeita ninguém? Como um adolescente, muitas vezes levado a escola como quem deixa o filho a uma babá, cederia a um grito cansado — para não dizer desesperado — pedindo silêncio, se em casa quem grita e logo em seguida tem o que quer é ele?

— Então gritem! — balbuciou antes de se virar e escrever na lousa.

Deixou-os gritar pelo menos enquanto copiava, enquanto poupava suas amígdalas repletas de calos vocais. Deixou que extravasassem a energia acumulada, que as desperdiçassem já que não usavam para algo de fato construtivo. Deixou que esgotassem as baterias de seus celulares enquanto ele se mantinha reservado para as próximas 5 aulas que teria de dar até o dia acabar.

“Mestre,” — iniciou um monólogo em seu pensamento enquanto escrevia o próximo parágrafo na lousa — “palavra que define a pessoa que adquiriu um conhecimento especializado em determinada área da ciência. Mesmo que seja satisfatório pensar que atingi tal formação, não me sinto privilegiado. Onde foi parar meu orgulho quando o desgaste me tomou?”

“Se na faculdade tivessem me dito como era ser professor, será que teria optado por essa profissão? Ou seria hoje um geógrafo e viveria viajando o mundo, ou pelo menos na cidade em que moro, diagnosticando e observando fenômenos naturais ou resultantes da ação humana? Poderia ganhar prêmios, dar palestras e…”

— Professor, é pra copiar isso tudo?! — foi interrompido pelo aluno.

— Sim, é basicamente o que vai cair no simulado do ENEM esse final de semana. — disse, quando na verdade queria dizer “Não, estou escrevendo de besta que eu sou! Estou testando o pincel há 15 minutos pra ver se ele escreve”. Voltou ao silêncio e parou por ali de se maldizer para evitar frustrações.

Considerava grave o fato de não ter recebido as felicitações de nenhum aluno. Não que o dia do professor fosse somente naquela data, mas gostaria de ouvir algum sinal de gratidão. Não lhe bastava que a escola ‘reconhecesse’ seu papel empírico — já que monetariamente esse reconhecimento não existia —, exibindo na sala dos professores um cartaz que diz em letras douradas: “Parabéns professor pelo dom da docência!”.

“A docência não é um dom!” — pensou quando viu o cartaz, e sabia que muitos professores concordariam (os menos romancistas, claro), pois era bem verdade que a docência é o fruto de uma dedicação extrema ao conhecimento. Ela é o resultado das noites viradas no trabalho da monografia, dos vários artigos publicados, das várias teses criadas, das pesquisas de campo e todo o investimento financeiro. Não foi algo dado, embora fosse mais fácil massagear o ego com a desculpa do dom divino. Foi uma conquista dele da qual não teve, pelo menos até então, a gratidão e o reconhecimento que esperava ter.

Talvez dissessem isso, em letras grandes e douradas, porque seria a forma mais viável (barata) de acalentar o professor e pôr panos mornos na desvalorização da figura do docente. Nenhum empresário da educação tem noção do quão completo um professor precisa ser, se tivesse trocaria seu salário com o dele. Desde dominar escrita, oratória, didática, flexibilidade a se posicionar, acompanhar, incentivar e ser um exemplo para uma geração, na maioria dos casos, bem mais nova e inexperiente que a dele.

O docente deveria — no ensino privado e público — ser tratado como alguém que (junto à família, sociedade e ao governo) é responsável pela formação do discente como individuo. Um indivíduo com conhecimento crítico e científico. Mas não era o que acontecia. Todos os dias o que era pedido pela empresa era apenas replicar o material dos livros, facilitar, para que o aluno pudesse passar na prova do vestibular.

Um refém na resistência: era assim que se sentia. Qualquer tentativa clara de fustigar a criticidade, se fosse percebida, poderia ser podada pela coordenação, pois o foco na maioria das vezes está no mercado. Tornar os alunos críticos e conscientes poderia despertar a compreensão de tal face escura do ensino e isso seria perigoso para a “educação privada” como um todo. O que ela queria era apenas manter os alunos dormentes, já que o importante é o outdoor anunciando a sua escola em primeiro lugar nos 3, 4 ou 5 vestibulares ao qual o fruto da lobotomia prestou.

Mesmo tentando, olhando para si, percebeu que era seu carcereiro. Aprisionando seu próprio conhecimento e o dos que antes dele formaram todos os que existem como cidadãos, que dominam (ou entendem) o código matemático, da fala e da escrita pelo menos. Uma lanterna embaixo da cama de um quarto escuro.

Então, onde estava com a cabeça quando quis ser um bendito professor?

Não tinha a resposta até a noite daquele dia, quando em sua quinta aula, após o sinal do intervalo, onde a maioria se dirigiu ao pátio, ele, exausto, sentou-se na cadeira e apoiou a cabeça nos braços sobre a mesa, quando foi surpreendido por um aluno que passava.

— Professor, o senhor está bem?

— Sim, cansaço apenas. Não lhe vejo mais nas aulas desde julho, o que houve?

— Estou indo para o University UK, no Reino Unido! Apresentei aquele projeto que lhe falei “Solos – A Influência Humana na Desertificação” e fui premiado! Eles me convidaram a participar desse intercâmbio na minha graduação. Sei que deve ser muito difícil passar o conteúdo dentro da sala de aula, mas devo ao senhor e ao seu incentivo essa vaga. Queria ter tido a oportunidade de ser seu aluno. Sinta-se ganhador junto comigo e, se lhe fizer melhor neste dia, penso em ser professor também! Obrigado mesmo! — despediu lhe dando um abraço e saiu.

Ficou em pé por alguns segundos vendo o aluno do terceiro ano que tanto lhe ‘perturbava’ após suas aulas, sobre um projeto que a própria escola não deu atenção por ser inviável financeiramente (mesmo cobrando absurdos nas mensalidades), partir para um destino novo porque acreditou e teve quem acreditasse nele. Lembrou de seus primeiros anos antes de se formar e de seus professores, que se permitiam conversar livremente após a aula incentivando e instruindo suas pesquisas, de todos os mestres a quem tem tanto carinho pela amizade que foi formada durante os anos de escola, e mais tarde nos anos da faculdade.

Na época, ele sabia e conhecia os professores pelo nome, que neles podia confiar seu direcionamento, um porto seguro na sua fase de descobertas e de certa instabilidade. E, voltando àquele momento, lembrou de outros alunos que o procuravam, poucos, mas que lhe deram as felicitações do seu dia.

Viu que embora lhe fossem podadas quase todas as tentativas de subverter a dormência proposta pelo “mercado da educação”, ainda existiam jovens como a Marina, o Pedro, Wagner, Júlio, Paulo, Milton, Fernando, que o buscavam no final da aula para pedir um feedback, uma opinião, um ânimo. E era o que ele fazia, pois a docência não se limita apenas à sala de aula.

Não sabia se seus professores sofreram com a mesma angústia na época, mas nunca deixaram transparecer e ele não podia permitir isso também. Mesmo que estivesse frustrado, ainda poderia fazer um bom trabalho na vida daqueles garotos e garotas, não devia se abalar e mesmo que parecesse absurdo, — nesse momento sorriu meio desconcertado — também não poderia desistir dos demais.

No final das contas não era um aluno no outdoor que lhe interessava, mas tornar isso possível correspondia ao seu desejo de interferir positivamente na vida de alguém, aliado a tentar melhorar as pessoas da sociedade que vivemos. Isso é que dava função ao seu trabalho. Era o aprendizado com a troca de experiências, vivenciar saberes diferentes e cuidar do futuro de pessoas estranhas como se fosse de um filho seu, era o que devia lhe motivar ainda mais. É saber que a gratidão, embora não ponha comida na mesa, lhe alimenta de algo que o dinheiro não pode comprar.

Daquele dia em diante, percebeu que existiam vários outros fatores que iam além de onde ele trabalhava. Que se na época a Ditadura Militar não conseguiu calar seus professores, não seria a Ditadura do Capital que iria torná-lo submisso. Não era nos alunos, onde sua didática exaurida parecia malhar no ferro frio, era nele que se encontrava o segredo de transformar aqueles pequenos meninos e meninas em mulheres e homens. E foi preciso relembrar o que foi um dia para saber quem ele é hoje, e o porquê de ser um bendito professor.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

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