Ode ao prospecto amor genuíno

Sinceramente, não tenho a intenção de entregar-lhe meu coração e muito menos pedir o teu. Não desejo de nós essa entrega egoísta porque sei que não cuido de nada que possuo, como ninguém realmente cuida. O que possuímos torna-se usual e eu não quero (ab)usar de nós.

Na verdade, o que mais quero é que sejas livre. Livre para ir onde quiseres. Que estejas com quem queiras estar. Perto de todos, de tudo, tudo acontecendo o tempo todo diante dos teus olhos. Assim, poderei sempre sentir o orgulho de ter-lhe sem que me pertença, como um presente da vida, e de doar-me como um presente a você.

Que o meu respeito e admiração sejam por ti maior que toda nomenclatura, seja em qual idioma for. Maior que um status numa rede social qualquer, que uma aliança de prata ou mesmo uma jura de amor embriagado — embora saiba que se embriagado disser que te amo, embriagado de amor estarei.

Quero ter-nos como uma eterna novidade. Você cada vez mais bonita, mais radiante, mais interessante e mais desejada. Quero sempre ser o seu novo, cada vez mais bonito, cada vez mais interessante e cada vez mais desejado.

Lhe segurarei de mãos abertas, com um descuido proposital, para nos lembrar que os ventos fortes vêm e que nesse momento devemos nos abraçar e resistir, se assim quiser. E quando o vento forte passar, nós abraçados nos bastar para amar, sorrir e seguir.

Espero ter sempre o prazer de saber que me convidarás para os bares não porquê você me pertence, como casados ou namorados. Quero que queira minha companhia, que nos deseje. E ficarei encantado ao sentar do teu lado. Sendo tua melhor companhia e tudo que desejo ser de melhor para alguém.

Desejo que tenhas a cada minuto novos amigos. Que sorria com eles, brinde com eles e que esteja ao lado deles. E desejo também que me chame para fazer parte deste sentimento, se assim preferir. Terei o prazer de sorrir com você, de brindar com você e de estar ao seu lado como um amigo igual a todos os que foram feitos há um minuto atrás.

Que sejas independente para que ganhe o mundo, mas que me faça sentir o homem mais forte de todos ao abrir o pote de maionese. Que saibas chorar em silêncio no quarto, mas que sinta segurança para chorar no meu peito.

Que sejamos a energia radiante da vida que nada cessa sua liberdade. Que vivamos um tão profundo egoísmo, em querer e amar a si próprio, para nos doarmos um ao outro como sinal máximo de nosso amor.

E quero que olhe para outros homens e os deseje por um segundo, apenas, e espero que seja apenas por um segundo. Os olhos, o sorriso ou o jeito de falar. Nesse momento, confesso que sentirei com dor o teu desejo ao outro, mas estarei mais feliz em saber que ainda são meus olhos tua preferência, meu sorriso tua escolha e nosso beijo a tua fiel entrega.

Quero que tenha raiva de mim por um momento, e que diga que não gosta mais de mim, e que pense o que fez para me merecer. E que me bata, e grite e beba depois. Quero que bebamos num bar o remorso, pensando nisso, pensando em como desde que nos conhecemos tudo se tornou tão intenso. Só para poder pedir nossas desculpas mais sinceras e reatarmos na cama com nosso mais fogoso amor.

Quero te ver sorrir com ou sem mim, para ter o prazer de sorrir com você teu sorriso mais sincero e dar-te meu sorriso mais sincero também. Dividir a cerveja mais gelada, as noites mais frias, as melhores histórias e as mais tristes também, sabendo que podemos fazer tudo isso sem o outro, mas escolhendo um ao outro para dividir.

Quero dizer que não quero teu coração, mas quero tua mão para te levar comigo. Tanto quero como não quero. Tanto desejo como não desejo. Tanto espero como nada espero. Tanto te prendo como deixo ir. Tanto exijo como deixo estar.

Neste universo ambíguo que se chama amar.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

2 comentários em “Ode ao prospecto amor genuíno

  1. O que seria do desejosem a ânsia? Mero querer.Alguns diriam que a simplicidade de tuas palavras traz consigo a complexidade da prática. No aqui e agora, um mundo multicor. Onde todas as cores da paleta são. Cada cor no seu momento de protagonizar e se fazer existir no papel.Linda leitura. Obrigada!

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