No começo da noite vazia

Olha a casa daquele homem
como está sem alegria.
Os passos ecoam pelos cantos,
os quadros na parede estremecem dos prantos
no começo da noite vazia.

Tão cedo quanto um lampejo
de luz na escuridão de um cego.
Certo de que o amor não floresce,
por mais genuíno seja quem o merece,
em meio a sutileza do ego.

Os pássaros silenciaram,
a janela está coberta.
Preso na porta arcaica
o relógio parado marca
a hora em que a solidão desperta.

Aproxima-se sorrindo
abraçando-o e dando o colo,
rindo de sua tola ambição.
Posso ouvir seu apelo à solidão:
— Me aceita de volta, eu imploro!

O céu é escuro, felicidade inexiste.
Em cima do muro,
os gatos agouram à Lua
e insiste.
Eis que cessa bruscamente
a fonte da paixão que jorra do âmago.
Ao atingir o imago,
morreram as borboletas do estômago.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

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