O poema que não escrevi

Resta-me a lembrança de ti
e os versos que virão
que não sei se serão
de amor ou de desilusão.

Resta-me em segredo
o verso que se atreve,
a lembrança das mãos,
os olhares que não mais
se encontrarão,
a felicidade de achar
teu cheiro em minha pele.

Resta-me a lembrança
da sensação de compreensão,
de que neste fluxo de alienação
encontrei alguém, também,
andando na contramão.

Resta-me a temperança,
que sempre em mim foi pouca.
A certeza de que fui alcançado
muito além dos lábios
quando me beijou a boca.

Restará de nós
as metades que pressupomos,
o ser que nunca seremos,
o saber que nunca saberemos,
porque, de fato, nunca fomos.

Resta-me ao amor
a gratidão do breve encontro,
que fizeram por uns instantes
minha alma, enfim, completa.
Em ti senti o delicioso torpor
e a saudade do inalcançável amor
que é tudo que me faz poeta.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: