O cadáver da casa nº260

— Você falou que quando chegou ele já estava assim?

— Isso, próximo ao sofá.

— Como?

— O cadáver estava em decúbito dorsal, com os braços estendidos, olhos fechados e a boca aberta como quem deu um último brado na luta contra a morte, fora derrotado.

— Sim… fazia tempo que ele vinha fraco, não comia, até tentamos alimentá-lo… uma pena.

— Uma pena.

— Tu já contou para tua irmã?

— Ainda não, ela não fica muito bem quando perde um gato, mesmo que tenha muitos.

— E tu sabe do que ele morreu?

— Dizem que foi de amor.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

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