Adeus, a Deus

Escrevo para todos aqueles que — indiferente de quando ou de onde — escolheram partir para um destino incerto, embora tenham certeza dos motivos que os levaram a partir. Sei que após o fim de uma história vivida o futuro assusta, pois a maior parte do que conhecemos de nós mesmos fica no que equivocadamente nomeamos “passado”, e nos perguntamos: para onde vai o que nem sabemos que podemos ser?

Passei por isso há alguns anos, não por escolha, pelo menos não enquanto encarnado. Hoje, compreendo minha partida e divido essa compreensão não como quem chegou a algum lugar, mas como alguém que entende que todo fim é o começo de um novo amanhã possível.

Devo graças ao preto-velho Pai Cipriano de Angola, cujas falas serenas afagaram meu coração e motivaram meus passos à época. Inspirado nesse que foi e continua sendo meu Guia, decidi dividir com você, que agora caminha com seus próprios pés, o que vim a ter de alguém que torcia por mim: a bênção.

Que seu corpo seja o Templo, movido pela honra dos seus valores e princípios. Que você possa alicerçar suas colunas sob as bases sólidas do amor. Que entenda o que é necessário carregar do que foi vivido para fazê-lo sempre presente: os sorrisos, os abraços, as alegrias e as trocas. Já o que considerar ruim, que seja o seu material de estudo para que nada disso possa ser reproduzido por você, com quem por ventura desejar descansar sobre o seu teto.

Que sua mente seja o seu Altar, onde repousarão as imagens dos teus santos e santas, encarnados e desencarnados. Onde acenderá a luz de uma vela eterna que ficará cada vez mais forte, até iluminar teus passos nos momentos de escuridão. Que seu altar seja alimentado com coragem, com esperança e com a crença de que quando se é nobre, nenhum trabalho é em vão.

Que seu coração seja a morada da Justiça e do Perdão àqueles que não te entenderão. Que você possa dar o peso correto a tudo que lhe chega, mesmo que não solicitado, sobre “o melhor caminho”. Que você jamais esqueça de fazer justiça a você mesmo(a) e a perdoar-se para que possa recomeçar e fazer melhor.

Por fim, que suas mãos construam o que é bom e seus pés te guiem para o bem. Que suas mãos sejam caridosas, trabalhadoras e principalmente jamais usadas para agredir — inclusive a você mesmo(a). Que seus pés estejam alinhados com seus valores e princípios, porque uma vez que se assume “mestre de si” ninguém mais é responsável pelo que tocam suas mãos ou por onde caminham seus pés, se não você mesmo(a).

Aos zeladores de suas histórias sagradas, adeus, pessoal. A Deus os teus novos caminhos.

Publicado por Nivartan

Considero-me um observador cuidadoso, otimista racional, de humor volátil, mas que vem trabalhando o amor em todas as suas possibilidades, buscando sempre ser honrado, justo e valente.

3 comentários em “Adeus, a Deus

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