Para os olhos teus

Não, meus versos não sãopara teus olhos rasos,que veem na vidauma sequência de acasosquando na vidanada acaso é. Meus versos sãopara os que à beira-maragradecem conscientesde que o sopro da Terraque infla seus pulmõesvem de outro continente. Não, meus olhos não sãopara teus versos rasosde quem sempre teve tudo e a felicidade tornou-se banal. MeusContinuar lendo “Para os olhos teus”

O cadáver da casa nº260

— Você falou que quando chegou ele já estava assim? — Isso, próximo ao sofá. — Como? — O cadáver estava em decúbito dorsal, com os braços estendidos, olhos fechados e a boca aberta como quem deu um último brado na luta contra a morte, fora derrotado. — Sim… fazia tempo que ele vinha fraco,Continuar lendo “O cadáver da casa nº260”

Desculpa se disse que te amo

Desculpa se disse que te amode repente, sem te deixar escolha…eu também não tive igual.Por favor, desculpe meu deslizeminha redundante tolicede amar sempre desigual. Desculpa se disse que te amose fiz assim como quem diz,causando-te surpresa e espanto,antes dos seus desencantos,que você me faz feliz. Desculpa, mas é que háno sereno do meu olharurgência comoContinuar lendo “Desculpa se disse que te amo”

O poema que não escrevi

Resta-me a lembrança de tie os versos que virãoque não sei se serãode amor ou de desilusão. Resta-me em segredoo verso que se atreve,a lembrança das mãos,os olhares que não maisse encontrarão,a felicidade de acharteu cheiro em minha pele. Resta-me a lembrançada sensação de compreensão,de que neste fluxo de alienaçãoencontrei alguém, também,andando na contramão. Resta-meContinuar lendo “O poema que não escrevi”

O que cabe no peito

Olho para dentro de mim e encontroum pedaço de poema, um conto,a história incompleta de uma vida.Dentro de mim não há conselho,apenas reflito diante de um grande espelhoos detalhes que perco de uma história sofrida. Olho para dentro de mim e não há corsó o preto e o amargor da dor,que sonho cessar um dia.DentroContinuar lendo “O que cabe no peito”

Canela e maçã

Sou feito de paixões repentinas,amores e sonhos arrebatadores.Assim que nasce o broto,já vejo-me colhendo as flores. E como são belas as floresque nascem no jardim da esperança!Atrevo-me e te chamo para rodarsem mesmo saber como se dança. Eu não tenho medo, o que temo é te deixar passar. Não posso frear estrelas cadentes, mas queroContinuar lendo “Canela e maçã”

Onde está você?

Tenho entalado no peito centenas de “eu te amo” para te dizer de, pelo menos, cem formas diferentes. Pouco importa se eu não disse ainda afirmações mais simples como: “eu gosto de você”, ou “eu estou feliz com você”, mas eu sei que o “eu te amo”, na forma como existe aqui em mim, entregaContinuar lendo “Onde está você?”

A joia do céu

Caminhava com a mochila pesada de velhos amigos. Centenas de páginas sobre uma ciência tão antiga quanto a humanidade, tempos em que buscava-se nas salamandras do fogo, nos gnomos da terra, nas ondinas na água e nos silfos do ar os caracteres ocultos do Grande Arcano. Princípios que sabiam, queriam e ousavam práticas cujas revelaçõesContinuar lendo “A joia do céu”