Poemas


O que sabes de mim?

Como falas assimse nem me vistes uma noitee dizes ferir-te como açoitea saudade que tens de mim? Como ousas dizer meu nomenos bares que clamam na madrugadaminha presença torpe, apaixonada, e dizes que isso a deixa insone? Dizes como os que me conhecempelo pouco que lestes de mim,mas se muitas vezes nem são assimas tempestadesContinuar lendo “O que sabes de mim?”

Até um dia

Me guarda um cafuné e aquele teu café, pois quero um dia voltar. Não sei como e nem quando, mas deixo no peito o encanto que tu fizeste despertar. Deixa minha xícara emborcada, deixa uma cadeira sobrando à mesa e deixa de lado essa tristeza, pois tudo há de passar. Guarda com gosto a alegria,Continuar lendo “Até um dia”

Para os olhos teus

Não, meus versos não sãopara teus olhos rasos,que veem na vidauma sequência de acasosquando na vidanada acaso é. Meus versos sãopara os que à beira-maragradecem conscientesde que o sopro da Terraque infla seus pulmõesvem de outro continente. Não, meus olhos não sãopara teus versos rasosde quem sempre teve tudo e a felicidade tornou-se banal. MeusContinuar lendo “Para os olhos teus”

Desculpa se disse que te amo

Desculpa se disse que te amode repente, sem te deixar escolha…eu também não tive igual.Por favor, desculpe meu deslizeminha redundante tolicede amar sempre desigual. Desculpa se disse que te amose fiz assim como quem diz,causando-te surpresa e espanto,antes dos seus desencantos,que você me faz feliz. Desculpa, mas é que háno sereno do meu olharurgência comoContinuar lendo “Desculpa se disse que te amo”

O poema que não escrevi

Resta-me a lembrança de tie os versos que virãoque não sei se serãode amor ou de desilusão. Resta-me em segredoo verso que se atreve,a lembrança das mãos,os olhares que não maisse encontrarão,a felicidade de acharteu cheiro em minha pele. Resta-me a lembrançada sensação de compreensão,de que neste fluxo de alienaçãoencontrei alguém, também,andando na contramão. Resta-meContinuar lendo “O poema que não escrevi”

O que cabe no peito

Olho para dentro de mim e encontroum pedaço de poema, um conto,a história incompleta de uma vida.Dentro de mim não há conselho,apenas reflito diante de um grande espelhoos detalhes que perco de uma história sofrida. Olho para dentro de mim e não há corsó o preto e o amargor da dor,que sonho cessar um dia.DentroContinuar lendo “O que cabe no peito”

A torre

Estou tão bem aqui,tudo é belo e tão claro!Não me importo e nem sei se deveria,em ser assim tão solitário. Vejo o vale pequenino,cabe na palma da minha mão.Tão distante e singelocomo pode ser tão beloa vida longe do meu coração? Aqui em cima fiz meu mundo,minha regra e minha lei.Como em Pasárgada,lugar que háContinuar lendo “A torre”

Um dia por acaso

Caminhava com a mochila pesada de velhos amigos. Centenas de páginas sobre uma ciência tão antiga quanto a humanidade, tempos em que buscava-se nas salamandras do fogo, nos gnomos da terra, nas ondinas na água e nos silfos do ar os caracteres ocultos do Grande Arcano. Princípios que sabiam, queriam e ousavam práticas cujas revelaçõesContinuar lendo “Um dia por acaso”

O amor que nunca vivi

Me flagro tendo saudadede amores que nunca tive.Há, porém, quem duvideque se tenha saudade assim. Para o espelho ensaio o discurso,conto a empolgante paixão em curso,de uma declaração de amor promovida,que nunca existiu, nunca, em vida,que nunca, nunca, se deu em mim. Agora, todo os diaspasso café com alegriapensando no meu maior amor,a minha maisContinuar lendo “O amor que nunca vivi”

Meu horizonte

Olha para o horizonte‎leva um candeeiro‎e me espera voltar‎sem pensar‎que é engano.‎‎Quem sabe‎daqui a pouco,‎talvez‎alguns‎anos. Julia, tua filha,terá 11 primaveras.Nosso tempo contamosquando o vento, enfim,trouxer minhas velas. Mas para tua cama,quentepara as tuas pernas,rentes, meu amor,irei voltar. Tu sabe, meu bem,que meu amor…é que meu amorflutua. Ao voltarlerei meus poemasenquanto tume ouve nua. Sem oContinuar lendo “Meu horizonte”

A noite dos valentes

Acordei de madrugadana noite dos valentespensei: onde estariam as gentesnesta hora inusitada? Na esquina o buteco,na calçada dorme Marrecofilho do dono do butiquimBebe sempre todo diatoma com muita alegriauma garrafa inteira de gim Ana, essas horas,menina direita e honesta,dorme o sono da festade deuses que o sono pastoraJaja nascerá a aurorae ela então estará refeitaContinuar lendo “A noite dos valentes”

Blackbird

Meu poema é um pássaro negroque quando alça vooo céu se cobre de nuvens cinzase seu voo alimenta meu verso,meu texto, minha rimatudo que eu começo ele findae põe-me a escrever Vejo nesta pedra de mármoreteus olhos a fitar-mecom vazio eternoonde antes era amor paternoe nem mesmo vestidona mais bela mortalhapai, tu perdeste a batalhaeContinuar lendo “Blackbird”

Coração

Meu Coração,por que andas tão sozinho?Não reconheces a rua, a casa, teus vizinhos? Nem a caneta,nem essa sinfonia?Responde-me, Coração,em que bar deixastes a tua valentia? Com quantos coposafogara teus sentimentose os lamentos que não derapara poupar-te dos julgamentos? Quantos cigarrosforam necessáriospara calar a tua bocae poupar-te do escárnio? Te deram respostasapontaram o caminhoquando tudo queContinuar lendo “Coração”

Face a face

Velha amiga Solidão,te orgulha como ganha a vida?Tornando a existência dos sábiose dos loucosassim, confusa e sofrida? Quando chega à casanefasta tenda em meio ao nevoeiroconsegues deitar na tua cama de mágoase repousar a cabeça no travesseiro? Qual o céu que tu olhas?Para que sol, que tu nunca conhecera?Que te fizeram, nobre amigapara ser assimContinuar lendo “Face a face”

O trem

Entrou no trem em busca de um rumoInvejou aquele que anda em linha retaA vida tornou-se um padrasto severoE o seu coração uma moça modesta Num ruidoso, veloze incansável vai e vem eternopor dentro paradopor fora movia-seo Eremita moderno Melancólica, a chuva caíae seu rosto a viagrudado na janelaEm algum momentoconvenceu-se que sem elea cidadeContinuar lendo “O trem”

O quebra-nozes

Acompanha-me nesta dançanobre amiga poesiavenha acolher minha tristezanos teus gestos de delicadezacomo faz com a minha alegria Depois de mais um diasem conseguir de mim fugirsem conseguir de ti fugirsirva-me um copotransbordando melancolia Deixa-me conduzir teus versose esconder meu fracassonas tuas entrelinhas Deixa-me brincar com teus versosenquanto meu alter ego perversopermite o amor brincarcom aContinuar lendo “O quebra-nozes”

Mulheres

Tenho um gosto peculiarpelas mulheres que tem história,que passam a língua nos lábios eainda podem sentiro amargor de dissabores vividos. Mas que esta boca, ainda assim,é capaz de dizer coisas belas,pronunciar palavras de afetoe, principalmente, sorrir. Gosto do rosto,do tempo que se mostraem pequenas rugas.Da sabedoriaque cada umacarrega. Gosto da alegriade quem passouum pouco deContinuar lendo “Mulheres”

O amor mais bonito que Deus me deu

Quanto eu voltavapassava por um florido campo.Meio bêbado, via algumas rosase me colocava a colher. Chegando à casa,entregava-lhe um buquê lindo,dizendo sorrindo:“Matei essas rosas por você!” A raiva diminuía,pois no fundo ela adoravaesse meu jeito psicopatade amá-la. E se não resolviade raiva ela me batia,sorrindo eu fugiade volta à mesa do bar. Entãode repenteela apareciatambémembriagada.Continuar lendo “O amor mais bonito que Deus me deu”

Um poema de amor para ela

Fiz um poema de amorpara dizer que eu sou delamesmo sem ela ser minha. Todo poeta temaquela mais engraçadinhaque procura quandopartem seu coração. Ela tem olhos castanhosde quem chorou cedo,mas que venceu o medoe hoje olha com firmeza. Tem um rosto delicado,um cabelo lisoque usa para jogar seu charmee me fazer perder o juízo. UsaContinuar lendo “Um poema de amor para ela”

Vento que tudo cabe

Parecia morrere talvez fosse mais fácilse assim fosse. Se por um descuido bobo,um tropeço na calçadajogasse-ana frente de um carrocolhendo-asem deixar nada. Mas ali,diante de seus olhosembaçados d’agua,a última vez que veriaaquele olharque tantas vezesa confundiucom constelações. A voz grossaque pareciaora sossego,ora intensidade,ora fluido,ora ancoragem. — Ora por mim,tens piedade! Mas era tarde.Precisava ir.Já eraContinuar lendo “Vento que tudo cabe”

No começo da noite vazia

Olha a casa daquele homemcomo está sem alegria.Os passos ecoam pelos cantos,os quadros na parede estremecem dos prantosno começo da noite vazia. Tão cedo quanto um lampejode luz na escuridão de um cego.Certo de que o amor não floresce,por mais genuíno seja quem o merece,em meio a sutileza do ego. Os pássaros silenciaram,a janela estáContinuar lendo “No começo da noite vazia”

Já já o sol nasce lá fora

Caminhando,todavia revezandopassos lentos,passos rápidos,passos fundos,passos rasos;caminhando. Ora deitando nos lírios,ora chafurdando na lama,ora limpando a lama nos lírios,ora limpando os lírios na lama. Descansandoentre as pernasde suas mães,embora sua mãe descansepobrezinha,pobrezinha,em desgraça. Mais vale esta cachaçapor pura bestialidadeque um goleda dura realidadenuma taça de ouro servida. Em cada esquina,deixa seu cumprimento:-Laroye! Livrai-me do mal caminho……eContinuar lendo “Já já o sol nasce lá fora”

Meu nome é seu

A ti concedo o direito da decepçãoe ver tuas maçãs perder o rubor para a apatia.A seriedade na tua feição que até há pouco sorriaenquanto eu permanecia te olhando, calado. Ver o brilho do teu olhar sumir devagarinhoe se desfazer olhando para qualquer outro pontoque não os meus olhos firmes. A ti concedo o direitoContinuar lendo “Meu nome é seu”

Das coisas que acredito

Se um dia te disser das coisas que acredito,das vozes que ouço mais altas que meu grito,de certas incertezas, de outros de outro mundo,dirás que estou louco, bem mais que um moribundo. Vou virar desconcertado e mudar de assunto,deixarei o silêncio passar minha sensatez.Que as minhas palavras, embora bem escolhidasserão por ti sortidas de descrençaContinuar lendo “Das coisas que acredito”

Para te ver novamente sorrir

Veja bem,você não vai entender os motivos,mas concordo em dizer que não se aprisiona pássaro vivoe livre para voar Sem poder te guiar,soterrado nessa pilha de incertezaspensou em um futuro sem delicadezae abriu mão de sipara te ver novamente sorrircomo no dia em que te conheceue o vento que soprava seus cabelose o papo queContinuar lendo “Para te ver novamente sorrir”

Minha tribo 

Pertenço a uma triboque por onde passaleva axé, sorte, alegria,luz, harmonia e graça. Quem chorava sorri,quem apático observava se contagia.Por onde minha tribo passaflore o canteiro, pássaro canta todo dia! Levamos cores,amores das águas de mamãe Oxum,o equilíbrio e solidez de Xangô,a proteção de pai Ogum. O canto de sorte da Sereira,a fartura de Oxóssi,Continuar lendo “Minha tribo “