A joia do céu

Caminhava com a mochila pesada de velhos amigos. Centenas de páginas sobre uma ciência tão antiga quanto a humanidade, tempos em que buscava-se nas salamandras do fogo, nos gnomos da terra, nas ondinas na água e nos silfos do ar os caracteres ocultos do Grande Arcano. Princípios que sabiam, queriam e ousavam práticas cujas revelaçõesContinuar lendo “A joia do céu”

Meu nome é Helena

Lá está ele, sozinho na mesa do bar. A mesma mesa, a mesma cadeira, a mesma posição. Nunca deixando o copo esvaziar como se relacionasse este ato involuntário ao seu medo subconsciente: o vazio. Dizem ser a mais pesada e bela cruz dos líricos poetas. Anotava ideias com aquela invenção do húngaro László Bíró, 84Continuar lendo “Meu nome é Helena”

Ode ao prospecto amor genuíno

Sinceramente, não tenho a intenção de entregar-lhe meu coração e muito menos pedir o teu. Não desejo de nós essa entrega egoísta porque sei que não cuido de nada que possuo, como ninguém realmente cuida. O que possuímos torna-se usual e eu não quero (ab)usar de nós. Na verdade, o que mais quero é queContinuar lendo “Ode ao prospecto amor genuíno”

O primeiro dia de toda minha vida

Vi aproximar-se um cruzeiro de madeira, iluminado por luzes azuis, brancas e amarelas, preso à proa de um barco que navegava no mar agitado, contornando as ondas que batiam violentamente no casco. Tudo era a noite envolta em uma neblina que não me permitia ver além daquela luz radiante que emanava do cruzeiro. Havia comigoContinuar lendo “O primeiro dia de toda minha vida”

José Bonifácio, o louco

Na ponta do Mucuripe, as jangadas repousavam ancoradas no mar e outras estavam em terra. Entre elas, os pescadores realizavam sua festa costumeira: cachaça prata entre uma garfada e outra do peixe pescado há pouco, saboroso, assado na brasa, azedinho do limão, samba de lata e caixinha de fósforos. Homens barbados, sem blusa, cheirando aContinuar lendo “José Bonifácio, o louco”

Dona Moça

Arlindo deveria esperar um pouco, mas partiu antes do tempo estimado. Dona Moça balançava a cabeça em frente ao espelho como sinal de reprovação. — Ah, esse Arlindo! Sempre o apressadinho! — Disse, enquanto procurava seu batom vermelho na gaveta da penteadeira. Lembrou que era desse que ele gostava quando saíam com os amigos paraContinuar lendo “Dona Moça”

Privado

“Onde estava com a cabeça quando quis ser um bendito professor?!” — se perguntou naquela manhã do dia 15 de outubro. Ficou por alguns segundos pensando enquanto escrevia no quadro. Nas primeiras cadeiras, alguns poucos alunos copiavam avidamente o que era escrito por ele, mas a maioria, para seu desânimo, conversava em voz alta aoContinuar lendo “Privado”