O que sabes de mim?

Como falas assimse nem me vistes uma noitee dizes ferir-te como açoitea saudade que tens de mim? Como ousas dizer meu nomenos bares que clamam na madrugadaminha presença torpe, apaixonada, e dizes que isso a deixa insone? Dizes como os que me conhecempelo pouco que lestes de mim,mas se muitas vezes nem são assimas tempestadesContinuar lendo “O que sabes de mim?”

Para os olhos teus

Não, meus versos não sãopara teus olhos rasos,que veem na vidauma sequência de acasosquando na vidanada acaso é. Meus versos sãopara os que à beira-maragradecem conscientesde que o sopro da Terraque infla seus pulmõesvem de outro continente. Não, meus olhos não sãopara teus versos rasosde quem sempre teve tudo e a felicidade tornou-se banal. MeusContinuar lendo “Para os olhos teus”

Desculpa se disse que te amo

Desculpa se disse que te amode repente, sem te deixar escolha…eu também não tive igual.Por favor, desculpe meu deslizeminha redundante tolicede amar sempre desigual. Desculpa se disse que te amose fiz assim como quem diz,causando-te surpresa e espanto,antes dos seus desencantos,que você me faz feliz. Desculpa, mas é que háno sereno do meu olharurgência comoContinuar lendo “Desculpa se disse que te amo”

O poema que não escrevi

Resta-me a lembrança de tie os versos que virãoque não sei se serãode amor ou de desilusão. Resta-me em segredoo verso que se atreve,a lembrança das mãos,os olhares que não maisse encontrarão,a felicidade de acharteu cheiro em minha pele. Resta-me a lembrançada sensação de compreensão,de que neste fluxo de alienaçãoencontrei alguém, também,andando na contramão. Resta-meContinuar lendo “O poema que não escrevi”

O que cabe no peito

Olho para dentro de mim e encontroum pedaço de poema, um conto,a história incompleta de uma vida.Dentro de mim não há conselho,apenas reflito diante de um grande espelhoos detalhes que perco de uma história sofrida. Olho para dentro de mim e não há corsó o preto e o amargor da dor,que sonho cessar um dia.DentroContinuar lendo “O que cabe no peito”

Canela e maçã

Sou feito de paixões repentinas,amores e sonhos arrebatadores.Assim que nasce o broto,já vejo-me colhendo as flores. E como são belas as floresque nascem no jardim da esperança!Atrevo-me e te chamo para rodarsem mesmo saber como se dança. Eu não tenho medo, o que temo é te deixar passar. Não posso frear estrelas cadentes, mas queroContinuar lendo “Canela e maçã”

Um dia por acaso

Caminhava com a mochila pesada de velhos amigos. Centenas de páginas sobre uma ciência tão antiga quanto a humanidade, tempos em que buscava-se nas salamandras do fogo, nos gnomos da terra, nas ondinas na água e nos silfos do ar os caracteres ocultos do Grande Arcano. Princípios que sabiam, queriam e ousavam práticas cujas revelaçõesContinuar lendo “Um dia por acaso”

O amor que nunca vivi

Me flagro tendo saudadede amores que nunca tive.Há, porém, quem duvideque se tenha saudade assim. Para o espelho ensaio o discurso,conto a empolgante paixão em curso,de uma declaração de amor promovida,que nunca existiu, nunca, em vida,que nunca, nunca, se deu em mim. Agora, todo os diaspasso café com alegriapensando no meu maior amor,a minha maisContinuar lendo “O amor que nunca vivi”